"A capoeira é uma ferramenta poderosa no no que se refere ao desenvolvimento motor e cognitivo". Baseado nesse pensamento, há exatamente 10 anos, Leandro Bicicleta se dedica à educação infantil, possibilitando, através da capoeira, que crianças de diferentes faixas etárias experimentem um mundo de descobertas.
Graduando em Educação Física, Leandro Bicicleta ministrou aulas em inúmeros colégios e creches do RJ, além de ter realizado oficinas em escolas de Paris(França) e Copenhagem(Dinamarca). Atualmente trabalha no Recreio dos Bandeirantes(Escola Vira-Virou e Cogumelo), Freguesia(Canto dos Sonhos) ,Tijuca(Escola Memei), Vila Isabel(Projeto Nosso lar),
Maria da Graça(Syllabatim) e coordena as atividades do Kabula no RJ.
A Capoeira Angola é extremamente variada, nela existem combinações de inúmeros movimentos que carregam uma forte simbologia. Como a maioria dos rituais de matriz africana, a roda de capoeira possui ritual e ritmo. O jogo é caracterizado por haver fluidez, "respostas às perguntas" que são feitas, ou seja, não se joga sozinho.
Luta, dança, manha, teatralidade e plasticidade são alguns dos elementos encontrados dentro da pluralidade dessa arte.
Na capoeira angola o jogo está em total conexão com a musicalidade. A bateria tem a responsabilidade de contagiar, através do toque e do canto, toda a roda, fazendo com que o jogo torne-se mais vibrante.
Torna-se importante dizer que o cantar na capoeira vai além da função motivacional para os jogadores, pois, na verdade, ele é o elemento que faz a conexão com a nossa ancestralidade. Estórias antigas da diáspora africana, ícones da nossa cultura e situações do cotidiano são lembradas através do canto, e através dessa oralidade o conhecimento é passado de geração à geração.
O conhecimento dessa arte se faz através da prática, da observação e do estudo.
Através das rodas, oficinas e convivência com outros praticantes, sobretudo com os mestres, é que conseguimos obter o entendimento necessário para decifrar os diversos códigos que esse jogo apresenta.
O "ser angoleiro" é algo que se faz com o tempo, com dedicação e paciência.
Capoeira Angola e musicalidade
Não se sabe exatamente quando a música foi relacionada ao movimento da capoeira ou vice-versa, mas podemos dizer que hoje em dia esses dois elementos são quase que um só.
Na capoeira angola existe uma preocupação muito grande com o ritmo, pois ali se encontra a “alma” da roda. Através do canto e do toque, o jogo pode se tranqüilo ou mais intenso. A orquestra do Kabula é composta da esquerda para a direita por: Reco-reco, Agogô, Pandeiro, Berimbau gunga, Berimbau médio, Berimbau Viola, Pandeiro e Atabaque. O regente dessa orquestra é o Berimbau gunga, que na maioria das vezes é tocado pelo(a) capoeirista mais experiente.
Após a organização da orquestra, surge um outro elemento para compor a roda de capoeira: o canto. Cantar na capoeira muita das vezes parece uma tarefa fácil e simples, mas não é. A música da capoeira expressa toda uma história, todo um processo que remete à diáspora africana. Além disso, o cantador dita o andamento da roda. Cantar o jogo requer prática e percepção. A música, assim como a orquestra, também possui sua organização, e ela é dividida seqüencialmente em ladainha, louvação e corrido. A ladainha é precedida por um grito(Iêeee) e possui uma cadência mais arrastada, chorada. Nessa hora não há interação com o côro da roda. Estórias passadas e atuais são relembradas nesse momento. Na seqüência vem a louvação, como o próprio nome sugere, é um momento de louvar a roda, os deuses e os elementos que fazem parte da capoeira. Nesse momento há interação entre o cantador e o côro. Fechando a seqüência temos o corrido, uma espécie de chamadas e respostas(versadas), onde o cantador, com a participação do côro, inicia o movimento dos jogadores. O corrido é uma fase onde se pode usar de muitos improvisos para rechear o canto. Vários mestres são conhecidos por essa capacidade. Entre eles podemos citar: Bigodinho, Boca Rica e Moraes.
Com todos esses elementos citados, é importantíssimo ter nas aulas um tempo dedicado à prática musical, pois só assim é que os códigos podem ser decifrados e entendidos.
Em nossos treinos, além, é claro, do movimento corporal proposto pela capoeira angola, trabalhamos com a musicalidade e filosofia dessa arte. O micromundo(roda) é uma preparação para o macro. Na capoeira encontramos diversas situações e aprendemos a contorná-las de diferentes formas. Essa pluralidade de desafios, para nós, contribui para o desenvolvimento corporal e cognitivo do praticante. Hoje vivemos em um mundo altamente imediatista, onde as pessoas, muitas das vezes, são levadas a responder automaticamente aos estímulos apresentados. Em nossa prática convidamos as pessoas a desconstruírem essas idéias e olharem a vida por uma outra perspectiva. Propomos uma pausa, uma reflexão diante dos desafios. O jogo da capoeira, como diz Mestre Moraes, é constituído de perguntas e respostas, e só através da prática constante, embasada na observação e na serenidade, é que obtemos a discernimento para dialogar de forma coerente com diferentes mundos. Em nossas vivências descobrimos a capoeira em vários aspectos: como luta, como teatralidade, como política, como brincadeira e como expressão corporal-verbal, sentimental e espiritual. Enfim, dentro dela somos levados a percorrer diferentes caminhos. Nosso espaço é aberto a todas as pessoas, independente de classe social, segmento capoeirístico, credo ou nacionalidade.
Após mais de 20 anos de prática e dedicação à capoeira angola, Carlo Alexandre, Mestre Carlão, um dos últimos representates do GCAP no Rio de janeiro, funda o Kabula(2004). Em 2007, através da parceria com o Trenel Leandro Bicicleta, surge o núcleo do Kabula/RJ. Temos a proposta de formar e informar pessoas de todo o mundo através da capoeira angola, levando a diferentes classes sociais a possibilidade de ver o mundo por uma outra perspectiva. Acreditamos que através dessa arte, apesar do anti-humanismo exacerbadamente praticado em todo o mundo, podemos, aos poucos, criar consciências que favorecerão o nosso convívio e bem-estar. A prática da capoeira angola propõe uma volta no tempo, uma reflexão acerca dos antigos ensinamentos, uma volta às origens, às raízes. Baseados nessas constantes retrospectivas, sem abrir mão das novas experiências, vamos contruindo o nosso presente. O Kabula Capoeira Angola baseia-se nos ensinamentos de diversos mestres angoleiros, sobretudo daqueles que fizeram parte do GCAP(Grupo de Capoeira Angola Pelourinho), fundado no RJ por Mestre Moraes e seus alunos.
Rua Camuirano, 76/203 - 2º andar tranversal à rua Real Grandeza c/ Voluntários da Pátria.
Terças - 19:00h às 21:00h Sábados - 15:00h às 17:00h Investimento
R$80,00(mensal). R$15,00(aula avulsa).
Dicas importantes
- Usar roupas folgadas e confortáveis. - Usar tênis rasteiro ou sandálias fechadas. - Realizar um aquecimento antes da atividade. - Não treinar alcoolizado ou sob efeito de qualquer intorpecente. - Não treinar cansado. - Não treinar se estiver sentindo dores. - Beber água antes, durante e depois do treino. - Realizar alongamento após o treino.
"Sou como a aranha que tece sua teia para viver. Não tenho nada contra ninguém, apenas teço a minha teia." Vicente Ferreira Pastinha
"O angoleiro entra na roda dando risada." Mestre Francisco 45
"A capoeira é pra todo mundo, nem todo mundo é pra capoeira." Mestre João Grande
"A capoeira é uma coisa que nasce no sangue da gente. Na natureza e no espírito". Mestre João Pequeno
"Capoeira é um diálogo de corpos, eu venço quando o meu parceiro não tem mais respostas para as minhas perguntas." Mestre Moraes
"Treinem e participem das rodas(de jogo e discussões) que se formam em torno da capoeira. Ninguém se torna capoeirista sem dedicar-se à capoeira." Mestra Janja